BEDA, Irlanda

Irlanda: sobre o meu retorno ao país

Fiquei na dúvida se deveria escrever esse post logo agora pois poderia ficar um pouco repetitivo, mas decidi que vou postar assim mesmo. Até hoje eu fiz dois posts sobre a Irlanda: um mais recente contando bem resumidamente sobre a nova oportunidade que surgiu de retornar ao país (e todas as merdas que aconteceram esse ano) e outro lá em 2015, quando comentei um pouco sobre meu intercâmbio. Decidi falar hoje com mais detalhes da minha segunda ida para Dublin e contar mais como aconteceu. Acredito que esse será um de muitos posts sobre a Irlanda aqui nesse blog, então pode esperar para ler muito sobre a terra da esmeralda! ☘️

Meu primeiro contato com a Irlanda foi em 2007 quando eu de certa forma nem sonhava em casar ainda (quer dizer, até sonhava mas não tão rápido). Eu fazia faculdade de Processamento de Dados quando meu marido (na época namorado) veio com a ideia de fazer um intercâmbio em algum país de língua inglesa. Até então nós pensávamos em ficar noivos para casar em um futuro próximo. O Inglês sempre foi um empecilho para que eu conseguisse um emprego aqui no Brasil pois todas as vagas na minha área (estágios também) exigiam o idioma.

Comecei a levar em consideração a ideia de estudar fora do país mais a sério e no final de 2007 fomos para Dublin. Escolhemos a Irlanda como destino pois na época era o país de lingua inglesa mais em conta para estudar (na época o euro custava R$2,70 😱) e comparando com Reino Unido, ficava realmente mais barato! 💶

Fomos com o curso de seis meses mas amamos tanto o lugar que estendemos o curso para mais um ano. Infelizmente 2008 não foi um ano fácil e quando chegamos no começo do ano o país já estava em recessão. Juntando a crise mundial naquele período, ficou impossível continuar no país pois além de eu não ter terminado a faculdade, nós também não tínhamos experiência de mercado em nossas áreas. Estava na hora de retornar ao Brasil, mesmo contra nossa vontade. 😭

Como diz o ditado: o mundo dá voltas. Quase dez anos depois de ir para a Irlanda, estamos coincidentemente voltando ao país. Se eu pudesse voltar no tempo para um ano atrás, eu NUNCA iria imaginar que hoje estaria fazendo as malas para mudar de país, ainda mais indo para um lugar que nem nos meus pensamentos mais otimistas eu pensaria em visitar novamente tão cedo. Não me levem a mal, eu sempre quis MUITO voltar à Irlanda, só não pensava que seria tão rápido!

O modo como tudo foi acontecendo foi tão interessante que até parece premeditado, mas não foi. Já havia mencionado num post recente que nosso destino inicial seria o Canadá e eu estava empenhada estudando para conseguir alcançar esse objetivo, tanto que não procurei emprego depois que fui demitida no começo do ano. Apesar do meu foco estar todo em passar na prova de proficiência em Inglês (IELTS) para prosseguir com o plano, algo me dizia para não deixar a Irlanda de lado. Eu sempre buscava vagas no Linkedin, embora não tivesse aplicado em nenhuma de fato.

Num certo dia ainda de olho em vagas aleatórias (todas para meu marido, pois eu estava focada em estudar para passar no IELTS) encontrei uma vaga perfeita para ele e disse: “achei essa vaga, mas é para Dublin… Por que você não aplica? Vai que rola…”. Não tínhamos a menor intenção de mudar os planos e nem focar em outro país pois eu já estava estudando há quase três meses para a prova. Alguns dias depois de aplicar para essa vaga, meu marido recebeu uma ligação do RH da empresa para conversar sobre a posição em questão. Depois de um bom tempo de conversa e de deixar ciente que ele precisaria do visto de trabalho, a pessoa responsável iria enviar um email com a data e horário para fazer uma entrevista técnica.

Ficamos bem animados! Era a primeira vez que uma empresa continuava o processo depois de falarmos que precisaríamos do visto de trabalho pois geralmente eles já encerram a conversa por aí (a maioria das empresas não querem bancar os custos do visto, pois são altos). Essa conversa aconteceu em março (não lembro ao certo a data exata) e depois disso eles simplesmente SUMIRAM! Fiquei bem irritada pois jurava que tudo continuaria fluindo em pouco tempo…

Incentivei meu marido a buscar pessoas que trabalhassem na empresa em Dublin no mesmo cargo que estava sendo oferecida a vaga e de preferência fosse brasileiro (fica a dica 😉), ele enviou uma mensagem para duas pessoas, mas só uma delas respondeu. A nossa sorte foi que esse contato acabou virando um amigo pois ele gostou muito de conversar com meu marido e prometeu ajudá-lo no que fosse possível. Dois meses depois da primeira conversa com o RH finalmente eles entraram em contato para marcar a entrevista técnica e essa seria com duas pessoas do time (os dois irlandeses).

A entrevista foi ótima e meu marido ficou muito confiante (grazadeus 😂), então na semana seguinte marcaram a próxima entrevista que seria com a diretora do departamento de segurança da empresa. Apesar de ter sido um pouco diferente (#medinho né), tudo ocorreu como o esperado e no final da semana o RH entrou em contato para discutir salário e fazer a oferta de emprego finalmente! 🙌🏻 Contanto assim tão resumido, dá a impressão que tudo ocorreu super rápido mas não se engane, do primeiro contato com o RH até a oferta demorou quase quatro meses! Fora o tempo de discutir data de início que também demorou bastante, mas isso foi devido aos imprevistos que tivemos aqui no Brasil e eu já mencionei no outro post.

Estamos com o voo marcado para o dia 24 de agosto e confesso que quanto mais a data se aproxima, mais aflita eu fico! 🙀 Se fosse o eu de 2007, eu estaria pulando de alegria mas o tempo passa e conforme envelhecemos ficamos mais medrosos, faz parte! Oportunidades como essa não surgem duas vezes na vida e precisamos aproveitar ao máximo! Em breve espero muito estar escrevendo sobre a minha experiência de conseguir um emprego na minha área lá em Dublin, mas é como falam: dividir para conquistar e eu sei que logo será a minha vez. 😄 Enquanto isso vou aproveitando minha “folga” sem trabalho! 😂

Esse post já ficou mais longo que o esperado! Amanhã tem mais, até lá! 😊

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Pessoal, Reflexão, Viagem

De volta à realidade!

Depois de dez dias sensacionais viajando pela Flórida (e mais dez sem fazer nada aqui no Brasil haha), estou de volta! Confesso que não é fácil voltar de férias, é sempre triste ter que voltar para a rotina. Parece que o tempo fica meio parado e sem novidades, especialmente no trabalho, é aquela coisa meio morta… “E aí, quais as novidades?” (eu perguntando na maior “empolgação” do mundo), “ah, tudo na mesma, nada demais…” (a maioria responde hehe). Nada muito fora do esperado não é mesmo?

Acho que para a maioria das pessoas que já tiveram a oportunidade de viajar para fora do Brasil, principalmente num momento crítico como esse, voltar é sempre um choque! Na verdade ir também é um grande choque, afinal, é duro ver o quão atrasado nosso país é, em TUDO, os patriotas que me desculpem, mas não tem muito o que falar a favor do nosso país (tirando aquelas 3 únicas coisas boas que tem por aqui: família, comida e clima, esse último eu nem conto muito na verdade).

Com o passar dos meses, voltamos a ficar anestesiados com tanta patifaria que ocorre por aqui, e tudo vai se “normalizando”, a corrupção volta a ser pauta diária em nossas vidas, a tremenda falta de respeito pelo próximo (falta de educação, egoísmo, preconceito e a lista só cresce) e casos mais bizarros impossíveis sempre estão lá sendo notícia. Ah Brasil, você não se cansa de me decepcionar… Mas não vou ser injusta ok? Políticos corruptos são apenas um pequeno reflexo da nossa sociedade, mas esse assunto vai longe.

É bom refletir um pouco primeiramente em quem somos, para depois vermos outros problemas. Me deparei com um vídeo MUITO legal, aliás recomendo o canal em si: Mais ao norte, dois amigos que foram morar no Canadá. O vídeo é o seguinte:

Acho que se não tem como mudar de país, podemos começar a nos tornarmos pessoas melhores certo?

Gostaria MUITO de ir embora do Brasil fazer minha vida em outro país, ter uma qualidade de vida decente e muito diferente de nossa realidade. Não precisar ser rica para ter acesso as coisas, poder comprar uma casa ou apartamento sem se afundar em dívidas ou viver para pagar contas, também poder fazer uma viagem legal sabendo que você vai ter grana para viver quando voltar hahaha. Enfim, viver uma vida justa, vendo os impostos sendo aplicados no que realmente importa: saúde, educação e infraestrutura.

Provavelmente você está se perguntando por que não fui então, já que não faz o menor sentido viver num país como o nosso (acredito fortemente que se você não é rico, deve concordar comigo), a resposta é simples: família, e só. Eu já tive a oportunidade de morar fora antes, obviamente tinha outra cabeça, e hoje penso que não é legal morar em outro país, longe, com o pensamento aqui em sua família, sabendo que a qualquer momento pode acontecer algo ruim e você não esteve presente aproveitando cada momento perto de cada um.

E é isso, não consigo encontrar nenhum outro motivo que me prenda ao Brasil, simplesmente não consigo ter esse amor que vejo em muita gente, esse patriotismo todo, sequer entendo o motivo! Mas vai saber, cada um é cada um.

Esse foi meu post desabafo hehe, no próximo conto sobre a viagem!

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